Lazu Academy: uma solução inteligente e digital para melhorar a educação brasileira

Resumo

Este projeto tem como propósito apresentar a plataforma Lazu Academy, um aplicativo Android & Web que, através de conteúdos e interfaces digitais, gamificação e recursos de Machine Learning e Inteligência Artificial, visa criar cronogramas e métodos personalizados de ensino para os estudantes do ensino médio, bem como oferecer soluções de dados e informações sobre a evolução dos alunos para escolas e professores.

Com este ideia, objetiva-se não só ampliar a produtividade do ensino, como também solucionar problemas recorrentes no ensino médio, como o superlotamento das salas de aulas e falta de materiais didáticos. Não obstante a isso, com a plataforma equalizando oportunidades, vê-se uma clara possibilidade de almejar a redução das desigualdades existentes entre escolas de alta e baixa renda.

Além disso, serão apresentadas, também, a construção da plataforma (design e programação), as funcionalidades e recursos e as possibilidades geradas pela mesma, bem como a pesquisa exploratória e de campo realizada para validar a funcionalidade de parte da plataforma, que acabou concluindo que grande parte dos estudantes necessita e vê esperança na plataforma, não só para melhorar o contexto local de suas respectivas escolas, mas também numa possibilidade de melhora das condições de vida encontrada em exames e vestibulares, que hoje são altamente desiguais e complexas.

Agora se planejam os treinamentos das redes neurais, através da alimentação de dados e refinamento das interfaces de ensino, que visam impactar nacionalmente e positivamente na evolução e criação de meotodologias de ensino que substituam o sucateado modelo fordista ainda presentes nas escolas brasileiras

Pergunta / proposta

Como podemos utilizar tecnologia para melhorar os atrasados processos brasileiros de ensino e aprendizagem, bem reduzir a desigualdade das escolas de alta e baixa renda?

Pesquisa

Na contemporaneidade, as tecnologias surgem cada vez mais rapidamente e este crescimento está, diretamente, ligado aos altos investimentos em ciência e tecnologia. Além disso, grande parte dos grupos que formam a sociedade atual, mesmo com a forte desigualdade social, possuem algum contato com a tecnologia existente no mundo, é o que afirma Guerra (2001).

Obviamente, nem todas as tecnologias são disponibilizadas em tempo e quantidades equivalentes. Mas, existem muitos produtos que são comuns em diversos grupos sociais, tais como o rádio, a televisão e, claro, os smartphones, tablets e computadores. Tanto que, nos últimos anos, a palavra tecnologia tem sido ligada, diretamente, a produtos de tecnologia da informação, são o que afirmam os dados de TIC (2012).

Dados da própria Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) (2015), afirmam que o Brasil possui 283,5 milhões de linhas ativas, enquanto a população se aproxima dos 200,4 milhões de pessoas. São dados que comprovam o tamanho da influência da tecnologia na população brasileira. E, partindo destes dados, é notório que grande parte das ramificações da sociedade foi atingida, tais como as indústrias, a aceleração da informação e muitos outros foram atingidos, entre eles, a educação, que, apesar de falta de notoriedade, foi atingida de forma negativa.

O jovem tem tido violentas introduções da tecnologia em seus cotidianos e em sua cultura. Segundo Moço (2012), o vício se tornou tão comum quanto a presença destes materiais e, aquilo que poderia estar sendo utilizado como material de apoio, em salas de aula, acabou tornando-se uma problemática.

No contexto sociocultural do jovem da atualidade, o uso da tecnologia é vital para o enquadramento social e está enraizado no seu cotidiano, por isso, deve ser adicionado ao meio escolar, afinal, nos anos 2000, os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s), que são os pilares da educação brasileira, determinaram que seria dever da escola democratizar as fontes tecnológicas, algo que, se tivesse sido aplicado, de fato, teria modificado a educação brasileira.

Porém, os governos estaduais e municipais – respectivamente, responsáveis pelas escolas de ensino infantil e fundamental; e fundamental e médio – tem seguindo uma linha contrária aos PCN’s, pois boa parte dos órgãos, como é o exemplo de Pernambuco, tem aderido a proibição, por lei, dos celulares, em sala de aula - publicada através da lei ordinária No 93/2015.

Além de todo este contexto, onde a tecnologia de soluções é transformada em problema, a educação segue com seus problemas usuais tais como, segundo DIAS (2016), a quantidade de crianças fora das salas de aula – que, segundo o Censo Educação (2015), representam 3 milhões de crianças –, a desigualdade educacional, a má eficiência dos investimentos governamentais e a péssima estrutura presente nas escolas e instituições de ensino.

Ainda segundo DIAS (2016), os dados do PISA – Programa internacional de avaliação de alunos – refletem na baixíssima qualidade da educação brasileira. De 65 países, o Brasil, em conhecimentos gerais, encontra-se na 58ª posição, enquanto na leitura, o país chega apenas ao 55º lugar. Face ao exposto, surgiu o Lazu Academy

Método / Testes

Após toda a parte de produção de base, as plataformas estavam prontas para serem publicadas nas lojas de aplicativos de cada sistema operacional. O sistema operacional Android seria o primeiro alvo da plataforma. Afinal, o sistema é utilizado por 9, em cada 10 usuários, e, em percentual, o mesmo representa 87,5% do mercado mobile mundial (SANTINO, 2016). Além disso, uma versão WEB foi lançada para que a mesma pudesse suprir os demais gadgets

Assim sendo, as plataformas estavam prontas para o lançamento na comunidade escolar do estado do Amazonas e de todo o país. Porém, inicialmente, a mesma foi disponibilizada apenas em âmbito regional e municipal, através da Feira Científico-cultural do SESC, onde as plataformas foram divulgadas e disponibilizadas para testes livres, durante o turno vespertino. A partir desses testes, e dos relatórios disponibilizados, após a publicação dos aplicativos, no Google Analytics – para a versão WEB – e, posteriormente, no Google Play Developer Console – para a versão Android – foram planejadas novas atualizações, onde, além da resolução de problemas na programação, foram adicionados, ou ampliados, recursos que pudessem melhorar a usabilidade das plataformas, tais como: o uso do cachê, para evitar gasto excessivo de memória – útil para usuários que possuem smartphones de baixo custo –, e a adição de atividades nos aplicativos da plataforma Lazu.

Com os dados obtidos a partir do lançamento, as plataformas provaram ser muito úteis, no contexto educacional regional, visto que os alunos se demonstraram muito entusiasmados com o uso de notebooks, no meio escolar.

Após o lançamento das plataformas, testes foram planejados para a produção de um feedback contínuo, que pudesse ajudar na melhoria da experiência do usuário, durante o uso da plataforma. Ao total, as plataformas passaram por sete testes práticos.

O primeiro teste ocorreu na Feira Científico-Cultural do SESC, em Manaus, onde alunos de Ensino médio poderiam utilizar a plataforma Lazu, livremente. Partindo da utilização, foi produzido um feedback, algo que acabou por melhorar, fortemente, a facilidade de uso da plataforma.

O segundo teste ocorreu na Samsung OCEAN – centro de tecnologia e desenvolvimento da Samsung, em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas –, em Manaus, onde os próprios desenvolvedores testaram a plataforma Lazu e, auxiliaram na produção de um feedback que melhorou o código e diminuiu bugs e erros.

Outros testes foram através de duas aulas, realizadas a partir do aplicativo “Linguagens”, onde foram pautados os temas Adjetivo, pertencente à área gramatical do aplicativo, e Arcadismo, pertencente à área literária. Partindo das aulas, mudanças no tamanho da fonte e na paleta de cores foram realizadas, além de uma melhor adaptação a data shows.

Além destes, testes foram realizados com alunos em feiras científicas em todo o Brasil. Por ser um país extremamente pluralizado e de proporções continentais, este tipo de teste é vital. As cidades de São Paulo, Porto Alegre e Porto Seguro foram alguns dos espaços de testes com usuários, que demonstraram feedbacks altamente positivos, além de ótimas dicas de melhorias.

 

Resultados

A plataforma Lazu demonstrou grande utilidade no ensino médio brasileiro, tanto nas metodologias de ensino-aprendizagem quanto no estudo individual, e também para os alunos e professores, tanto das escolas públicas, quanto das privadas. Além do ganho do tempo, durante a aula de gramática – objeto de estudo nesta pesquisa –, o aumento da atenção e do interesse foram notórios nas aulas realizadas com a plataforma, em uma turma de 1º ano que possui 25 alunos, do Centro de Educação SESC – José Roberto Tadros (veja abaixo).

GRÁFICO 01 – PRODUTIVIDADE EM SALA DE AULA, SEM O USO DO LAZU

FONTE: DO AUTOR (2018)

GRÁFICO 02 – PRODUTIVIDADE EM SALA DE AULA

FONTE: DO AUTOR (2018)

 

Os resultados obtidos corroboram com a teoria de Faustine (2010). Os meios virtuais facilitam a motivação dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de interação que oferecem. E, quanto mais interativa for essa relação, maiores serão as possibilidades de enriquecer as condições de elaboração do saber (PAÍS, 2005).

Além disto, o aplicativo “Linguagens” foi lançado para teste. Apesar de mais simples, contendo apenas conteúdo das disciplinas Gramática e Literatura na interface LinerUI, e ser apenas uma versão beta para testar possibilidades e adquirir resultados para o desenvolvimento da versão final do Lazu, o mesmo possuía no dia 06 de Novembro de 2017 exatamente 32187 downloads ativos na Google Play e uma nota de 4.33, de cerca de 230 avaliações, sendo que 80% das avaliações positivas exaltavam o diferencial da didática exercida pela LinerUI, enquanto as negativas demonstravam descontentamento com a impossibilidade do “Linguagens” funcionar off-line e também com a existência de anúncios invasivos – problema este que foi criado pelo uso de uma plataforma de desenvolvimento paga, algo que já foi solucionado durante o desenvolvimento do Lazu.

 

 

Conclusão

A justificativa, a qual se fundamenta a iniciativa da produção de plataformas educacionais digitais contextualiza, de forma exata, o quão atrasado está a educação, em relação a cultura jovem. Em um mundo tão globalizado e interligado, é doentio notar o quão grave são as falhas tentativas, das escolas brasileiras, de democratizar as tecnologias do cotidiano no aluno – algo que é dever das mesmas.

Esta pesquisa, apesar de exploratória e, claramente, com focos em impactos socioculturais, não se absteve apenas a relatar e estudar o problema socioambiental e cultural que assola a população brasileira. Ela se prepõe a produzir uma solução, totalmente viável, para o contexto educacional e econômico do país. A produção destas plataformas surgiu como um plano para auxiliar, os meios educacionais, não apenas nas metodologias de ensino-aprendizagem, mas, também, nas didáticas de estudos pessoais, na interação entre estudantes, professores e gestores, seja para os exames de vestibulares e áreas de interesse do aluno. Afinal, o conhecimento não está apenas dentro das salas de aula.

No decorrer deste trabalho, problemáticas como o vício tecnológico e o atraso de 16 anos do PCN, além de temas como a defesa do uso da tecnologia nas salas de aula, foram abordados, visando a melhora do cenário do ensino médio. Além disso, o estudo dos muitos teóricos, desde pedagogos e professores, até design e programadores, ocasionou na produção de plataformas preparadíssimas para todas as idades, e com a melhor produtividade possível.

Este trabalho demonstra ter tido uma contribuição significativa, em relação aos alunos que baixaram ou utilizaram as plataformas, direto das lojas de aplicativos ou via web – algo que, diariamente, cresce fortemente, e aos que assistiram às aulas experimentais noticiadas, afinal, devido ao livre e gratuito acesso, aulas não noticiadas, podem ter sido lecionadas.

Sobre mim

Somos desenvolvedores e inventores que buscam melhorar as coisas ao nosso redor. A convivência com a educação nos fez querer mais e nos moveu a criar melhorias e ampliar as oportunidades, tanto para nossos colegas, quanto para pessoas com menos oportunidades. Estamos aqui, hoje, realmente criando e acreditando que podemos melhorar a educação brasileira e quem sabe até de outros países.

Saúde e segurança

Não houveram quaisquer testes que pudessem causar riscos à saúde físico-mental dos beta testers e todas as regras de testes com softwares foram devidamente seguidas

Bibliografia, referências e agradecimentos

Referências bibliográficas:

BRASIL, Ministério da Educação. Secretaria de Estado Média e Tecnológica. Parâmetros Curriculares Nacionais + (PCN+) - Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Brasília: MEC, 2002.

CERVO, Amado Luíz; BERVIAN, Pedro Alcino; DA SILVA, Roberto. Metodologia Científica. 6 ed. São Pailo: Pearson Prentice Hall, 2007.

ESTADOS UNIDOS, Censusgeocoder. U.S. Census Bureau. Disponível em <http://www.census.gov/geo/maps-data/data/geocoder.html>. Acesso em: 23 de setembro de 2018

FAUSTINE, Denise Aparecida. A inserção da tecnologia na educação infantil: brinquedos e computadores. Disponível em <www.planetaeducacao.com.br>. Acesso: 20 de Março de 2018.

GUERRA, Carlos Gustavo Marcante, Ampliando a construção da mente.ONLINE, Disponível em <http://www.eps.ufsc.br/^cgustavo/transdisciplinar/mente.html#informacao>. Acesso em 28 de outubro de 2018.

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PERNAMBUCO. Constituição de (2015). Substitutivo no15 de 28 de abril de 2015. Altera integralmente a redação do Projeto de Lei Ordinária no 93/2015. In: CONSTITUIÇÃO DO ESTADO DE PERNAMBUCO.

MOÇO, Anderson. Os jovens e a tecnologia. Nova Escola, Porto Alegre, outubro. 2012

MOUGEOLLE, Léa, Howards Becker e seu livro outsiders. Sociologia Fevereiro, 2015

RIBEIRO, Laura. Quais são as redes sociais mais usadas no Brasil. Disponível em http://marketingdeconteudo.com/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/. Acesso em: 04 de novembro de 2018.

SANTINO, Renato. Quase 9 em cada 10 celulares no mundo usa Android. Disponível em < http://olhardigital.uol.com.br/noticia/quase-9-em-cada-10-celulares-no-mundo-usa-android/63634>. Acesso em: 3 de novembro de 2018.

SOUSA, Robson Pequeno de; MOITA, Filomena M. C. Da S. C.; CARVALHO, Ana Beatriz Gomes. Tecnologias Digitais na educação. Paraíba: eduepb, 2011.

 

Agradecimentos

Primeiramente, é justo que agradeçamos a todos que apoiaram esta idéia não só por simpatizarem com o uso da tecnologia, mas também por desejarem uma educação e um país melhor. Além disso, agradecemos por todos os feedbacks, críticas e incentivos, pois todos serviram para melhorar a equipe e o projeto, em especial às instituições da Escola SESC e também da Samsung OCEAN, que foram grande parte dos testes da plataforma.

Fica também a informação de que queremos ser muito mais do que uma escola ou cursinho online ou um livro digital, queremos ser o pílar para a revolução da educação brasileira.